Boas meus amigos Com este tópico estou dando início a mais uma construção. Desta vez vamos invadir as Índias . Estou falando da “caravela redonda” também chamada de “caravela da armada". Nada melhor que este trecho do artigo escrito para a “Enciclopédia Luso-Brasileira” de autoria do Sr. Jaime M. Barata para contar-lhes um pouco da história desta embarcação. “ Descobertas as costas que era possível descobrir, começaram as grandes viagens de comércio e de ocupação, feitas já por armadas de naus, depois por armadas de naus e de galeões, navios redondos no velame, bojudos, lentos, mais os primeiros do que os segundos, e cuja arqueação foi crescendo durante os sécs. XVI e XVIII. Essas armadas não podiam seguir os caminhos, mais diretos, das rápidas e manobraveis CARAVELAS latinas, e tomavam rotas muito mais largas. Para recados entre esses barcos pesados e a terra, para anúncios e notícias, com eles iam algumas das lépidas pequenas CARAVELA latinas, chamadas, em virtude das suas funções, "mexeriqueiras". Também as CARAVELAS latinas podiam fazer largas viagens, e algumas vieram, isoladas, da Índia para Portugal ou daqui para lá foram. Mas eram barcos pequenos demais para se oporem a qualquer ataque e foram sendo pouco a pouco artilhados e crescendo em tamanho. E para acompanhar as grandes naus, que procuravam ventos de feição, também tomaram algum pano redondo, o qual, para ventos de popa, é de maior rendimento e mais cômodo do que a vela latina. Assim apareceu a "CARAVELA redonda", também chamada "CARAVELA de armada". É um barco de quatro mastros, dos quais o de proa armava traquete e velacho (velas redondas) e os outros três armavam latinos bastardos, como os da CARAVELA latina de três mastros. Destes três, o de vante continuava a meia-nau. O seu casco era mais fino do que o das naus e tinha mais funda quilha, para a bolina. Tinha, além do castelo de popa, castelo de proa, agora, possível, porque o carro da vela latina não indo à proa, não exigia que fosse rasa a proa. Era pois a CARAVELA redonda um misto da CARAVELA e da nau e procurava com isso obter as vantagens de cada um dos tipos: a agilidade e a facilidade de barlaventear do primeiro e o poder, segurança e bom andar de vento em popa do segundo. Durou este tipo muito tempo, até se extinguir o nome de CARAVELA, e dela existem planos, do começo do séc. XVII. Se assim aconteceu, é porque serviu, resistindo às criticas. Uma vez esclarecido como e porque elas surgiram, fui procurar por gravuras, desenhos e iconografias a respeito. As mais notórias são as do “Livro de Armas” de D. Duarte e também as do livro “Lendas das Índias” de Gaspar Corrêa , ambos de meados do sec. XVI.
Contudo alguns estudiosos criticam estas gravuras alegando que são desproporcionais e incoerentes. Mas serão mesmo? Aprofundando ainda mais a pesquisa para obter medidas precisas fui beber nas fontes do livro ”Traças de Carpintaria” de 1616 (Manuel Fernandes). Lá eu encontrei a denominada Galizaura, cuja silhueta é bem similar a das gravuras de D. Duarte, diferindo apenas em alguns pormenores como um semi-costado observado nos castelos de proa de algumas das gravuras, mas legitimando a fidelidade desses desenhos. O mais importante é que no livro encontrei os desenhos precisos da coberta e da caverna mestra que me possibilitaram determinar as dimensões a serem seguidas. Baseado nos estudos que fiz cheguei a esta planta que eleborei.
Mensagens: 1422 | Localização: Niterói, RJ , Brasil | Registrado: 15 October 2003
Valeu Max! Vamos atualizar. Resolvi testar uma técnica de montagem que aprendi com um amigo de nome Carlos Mariano lá no site www.ptnauticmodel.net que conciste em fazer um molde de mdf, cartão ou plasticard e isopor do modelo que será fibrado. Depois de desmoldado o casco de fibra então será recoberto com madeira em ambos os lados (dentro e fora) escondendo a fibra de vidro numa espécie de sanduiche. É uma técnica muito fácil que economiza bastante tempo e alem do mais serve para qualquer tipo de embarcação incluindo as modernas.
Uma vez impresso os planos de quilha e cavernas, rcortei e os colei. Quilha no mdf, cavernas no cartão panamá. Depois recortei as peças e montei o esqueleto já tendo uma boa noção das dimensões da criança.
Oi pessoal. Nesta atualização veremos: Croqui com as cores definitivas. Colocada espuma de poliuretanno na parte inferior e isopor na superior que foram aparados e lixados dando a forma do casco. Próxima etapa aplicação da fibra de vidro.
Saudações do amigo
Mensagens: 1422 | Localização: Niterói, RJ , Brasil | Registrado: 15 October 2003
Ê seu Genésio, essas suas embarcações em scratch são sempre muito ricas e bem detalhadas! É um prazer acompanhar suas montagens pois são muito inspiradoras!...
Parabéns!
Mensagens: 826 | Localização: São José do Rio Preto | Registrado: 16 July 2008
Qual a escala dessa embarcação? O design será o mesmo das outras caravelas do início do século XVI?
Pederoda A escala é 1/48. Quanto a segunda pergunda no século XVI existiam dois tipos de caravelas: as caravelas latinas (CLs) que eram armadas apenas com dus ou três velas triangulares chadas de latinas, e as caravelas redondas(CRs) também chamadas de caravelas da armada que são uma adaptação das CLs que receberia um castelo de proa com um mastro(traquete) armado com duas velas quadradas para aproveitar ao máximo os ventos de popa na famosa volta do atlântico e com isso acompanhar e escoltar as naus da carreira das indias. As CRs eram fortemente armadas e muito mais manobréveis e velozes do que as naus "gorduchas". Dê uma lida no testo de abertura que explica tudo isso com mais detalhes. Quanto ao design nas minhas pesquisas junto com os amigos portugueses distingui dois tipos básicos de CRs que diferiam mais no formato da proa. Uma era equipada com um esporão tipo ariete,de carater figurativo que dava um ar ameaçador a embarcação. O outro tipo era equipado com uma estrutura tipo um "varandim" chamada de BEQUE. As demais estruturas não se diferiam muito.
Mensagens: 1422 | Localização: Niterói, RJ , Brasil | Registrado: 15 October 2003
Tenho uma curiosidade, como eram as chamadas "Nau de Carreira" mencionadas no texto?. Havia barcos especializados apenas no transporte de carga ou todos tinham função mista de carga e combate?.
Mensagens: 857 | Localização: SP | Registrado: 05 June 2006
Wolf Primeiro gostaria de esclarecer que naus e caravelas são embarcações distintas e de origens diferentes que com o passar do tempo foram assimilando caracteristicas umas da outras. As naus e/ou carracas tem as suas origens no norte, sendo embarcações de grande tonelagem armadas com três mastros com velas quadradas e as vezes uma latina no mastro de mesena. Eram próprias para navegação em mares mais agitados sendo usadas principalmente para transporte de carga, más também para guerra. As caravelas são de origem mediterrênea e árabe. Foram melhoradas pelos portugueses que inventaram a caravela latina. Eram embarcações de pequeno porte e baixo calado com dois ou três mastros com velas triangulares (latinas). Foram mais utilizadas para exploração, pesca ou “correio expresso” não tendo muita aplicação como embarcações mercantes. Contudo com a descoberta do caminho das índias aumenta-se o fluxo de mercadorias com conseqüente aumento na tonelagem das naus que apesar de fortemente armadas não tinham capacidade de manobra essencias nas batalhas navais. Daí que os portugueses desenvolveram uma embarcação própria para guerra ao cruzar a agilidade de manobra e capacidade de bolina das caravelas com a robusteza e armamentos das naus. Surgem então em meados do sec XVI uma caravela de guerra chamada de CARAVELA REDONDA OU DA ARMADA, que além dois três mastros latinos possuía um castelo de proa que sustentava um mastro de traquete equipados com duas velas quadradas que quando infladas pelo vento ganhavam uma forma arredondada daí o nome caravela redonda. Estas velas quadradas possibilitavam as caravelas usufruírem os ventos de popa na grande volta do Atlântico. Elas escoltavam e protegiam as pesadas naus entupidas de mercadorias de ataques de corsários ou piratas. Mais tarde, no final do sec XVI,com outras inovações e o aumento progressivo de sua tonelagem estas carravelas redondas se transformaram nos galeões portugueses, patachos, galizauras e outros tipos de embarcações militares que tinham alguma capacidade mercantil mas nada que se igualasse as das tradicionais e gorduchas naus.
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Guina A diferença é que corsário na verdade é um título em forma de carta que é dado pelo soberano de um pais a uma pessoa que ganha o direito de pratricar a pirataria contra a embarcações ou portos de paises inimigos.Temos como exemplos Francis Dreak(o famoso pirata da rainha) e René Duguay que invadiu o Rio de Faneiro em 1711. Portanto eles são "funcionários públicos" . Os piratas agem por conta própria, não tem soberanos. Exemplo Eduard Teach(Barba Negra).
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