Selecionei para esse novo projeto, no GB3 de Embarcações da Webkits, o Takao, navio que deu nome à classe composta pelos quatro maiores cruzadores pesados da Marinha Imperial Japonesa na Segunda Guerra.
Antes de abordarmos o modelo e a sua construção, entretanto, vamos falar um pouco dos antecedentes dessa classe, das características do Takao, da sua história e do seu desempenho durante esse grande conflito mundial.
Antecedentes da classe Takao. Os cruzadores pesados da classe Takao, assim como os demais navios desse tipo utilizados pelos japoneses na Segunda Guerra, foram desenvolvidos a partir da experiência adquirida com o cruzador leve Yubari, que teve a sua construção autorizada em outubro de 1921 e entrou em serviço em julho de 1923.
Esse pequeno navio, deslocando cerca de 4.000 toneladas e classificado como cruzador leve experimental, serviu para testar a combinação de alta velocidade e grande poder de fogo no menor casco possível, com o uso de medidas radicais para a redução de seu peso. Entre elas destacou-se a incorporação da blindagem como elemento da estrutura do navio, em vez da sua adição de forma isolada, após a referida estrutura estar pronta.
Ainda em 1922 e aproveitando a experiência até então adquirida no projeto e na construção do Yubari, foram autorizados dois cruzadores de 7.500 toneladas, Furutaka e Kako, com seis canhões de 203 mm (oito polegadas), 12 tubos de torpedos e capazes de atingir velocidade de 35 nós.
Nessa mesma época ocorreu um evento que viria a influenciar a construção de navios de combate em todo o mundo, no caso a Conferência Naval de Washington, realizada entre novembro de 1921 e fevereiro de 1922. Ela deu origem ao tratado de mesmo nome, que inibiu de forma significativa a ampliação das esquadras das grandes potências, como forma de evitar uma corrida armamentista e um novo conflito em escala mundial.
Por outro lado, ao mesmo tempo em que foram estabelecidos limites na tonelagem de couraçados, cruzadores de batalha e porta-aviões permitida para cada nação, nenhuma restrição foi imposta no total de navios com deslocamento até 10.000 toneladas, exceto quanto ao calibre máximo de seus canhões, limitado a 203 mm (oito polegadas), o que acabou por incentivar a sua construção.
O Tratado Naval de Washington forçou os japoneses a abandonar os seus planos para a construção de novos couraçados e cruzadores de batalha, sendo os recursos então transferidos para outras classes de navios, incluindo dois novos cruzadores pesados, Aoba e Kinugasa, semelhantes aos já mencionados Furutaka e Kako, e quatro maiores, no limite de 10.000 toneladas. Estes últimos viriam a constituir a classe Myoko (Myoko, Haguro, Nachi e Ashigara), armada com dez canhões de 203 mm em cinco torres duplas e superando os similares ingleses (oito canhões de 203 mm em quatro torres duplas) e norte-americanos (nove em três torres triplas).
Esses novos cruzadores pesados serviram de palco para acirrados confrontos entre o comando da Marinha Imperial, ávido para empilhar mais armamento e blindagem sobre os cascos, e os projetistas, defensores da manutenção das características originais, sendo estes últimos obrigados a ceder no final.
Dessa forma, a Marinha Imperial recebeu navios bem armados e superiores aos similares de outras nações, mas com deslocamento acima do planejado, gerando perda de estabilidade e de desempenho, o que exigiu, em alguns casos, uma custosa reconstrução em caráter emergencial. Adicionalmente, todos os cruzadores pesados da classe Myoko e aqueles construídos posteriormente excederam por larga margem o limite em tonelagem do Tratado Naval de Washington, motivando manipulações diversas destinadas a ocultar tal transgressão.
Finalmente, em 1927, como resposta à aprovação pelo Congresso dos Estados Unidos de uma nova classe de oito cruzadores de 10.000 toneladas, o governo japonês autorizou a construção de quatro novos cruzadores pesados, com base em uma versão melhorada da classe Myoko. Nascia assim a classe Takao, que escolhi para o presente GB.
Características da classe Takao. A nova classe repetiu em linhas gerais as características do Myoko e seus irmãos, mas com algumas diferenças importantes.
(a) Armamento principal de 203 mm com elevação máxima ampliada de 40 para 70 graus, permitindo o uso antiaéreo.
(b) Tubos de torpedos transferidos do convés principal, no interior do navio, para o convés superior, em uma posição mais exposta, com o objetivo de minimizar os danos no caso de uma explosão acidental. Mesmo assim, em combate os tubos eram apontados para fora, diminuindo ainda mais tal risco.
(c) Adição de instalações que permitissem o uso dos navios como capitânias de frotas, acomodando o almirante responsável, seu estado-maior e o pessoal auxiliar. Isto implicou na adoção de uma enorme torre de comando, parecida com um templo feudal japonês e capaz de fazer bonito até mesmo em um couraçado. Essa torre facilitava a identificação da classe Takao, juntamente com o fato de a chaminé traseira ser reta, enquanto em todos os demais cruzadores de duas chaminés ambas eram inclinadas.
Seguindo a tradição, todos os quatro navios foram batizados com nomes de montanhas: Takao, Atago, Maya e Chokai.
A tabela a seguir condensa várias informações adicionais.
É mostrado a seguir um comparativo entre as características principais do Takao e as de outros cruzadores pesados que entraram em operação na mesma época. O Prinz Eugen, apesar de ser bem mais novo que os demais, foi incluído para permitir a avaliação do Takao frente a um representante da Kriegsmarine. Cumpre ressaltar que os dados apresentados a seguir referem-se à configuração de cada navio quando de sua entrada em serviço.
A próxima tabela, relativa à classe Takao, mostra os resultados da tendência dos japoneses em sobrecarregar os navios com armamento e blindagem, acima do projetado ou permitido pelos cascos originais.
Reparem que a maior parte da blindagem ficava submersa, tornando os navios mais vulneráveis aos eventuais danos em combate.
Resumo das modificações no cruzador pesado Takao. O Takao passou por uma grande reforma no final da década e 30, destinada a reduzir o seu peso e corrigir as deficiências mostradas anteriormente. Nessa oportunidade foram adicionados grandes compartimentos nas laterais do casco, ampliando a sua largura para 20,73 metros. Essa alteração, juntamente com a redução da altura e do peso da torre de comando, tornou o navio mais estável. Outro detalhe importante foi a transferência do mastro principal (traseiro), da parte traseira da segunda chaminé para junto da quarta torre de canhões principais. Mais tarde, com o Japão já envolvido na Segunda Guerra Mundial, foram introduzidos novos aperfeiçoamentos, quase sempre relacionados com a ampliação de suas defesas antiaéreas. A tabela a seguir mostra essa evolução, também aplicável ao Atago.
Histórico do Cruzador Pesado Takao. Entre 1932, quando foi incorporado à Marinha Imperial, e o final de 1941, quando tiveram início as hostilidades no Pacífico, o Takao teve uma existência tranqüila, submetido às atividades rotineiras de treinamento de seu pessoal e aperfeiçoamento de seus sistemas. A mesma só foi interrompida pela grande reforma executada entre maio de 1938 e agosto de 1939, da qual ele saiu bastante renovado.
Iniciada a ofensiva japonesa, em dezembro de 1941, o Takao foi destacado para apoiar as operações na Malásia, junto como os couraçados Kongo e Haruna, além de seu irmão Atago, todos sob o comando do vice-almirante Nobutake Kondo. Esse grupo, depois reforçado pelos cruzadores pesados Chokai, Mogami, Mikuma e Suzuya, recebeu a espinhosa missão de interceptar a Força Z britânica, composta pelo couraçado Prince of Wales e pelo cruzador de batalha Repulse. Infelizmente (ou felizmente), a aviação naval japonesa baseada em terra afundou os dois navios inimigos, evitando um eventual confronto naval.
A partir daí o Takao apoiou a invasão das Filipinas e das Índias Holandesas, até março de 1942, seguindo-se a perseguição aos navios que lançaram o ataque de Doolittle ao Japão e depois a fracassada invasão de Midway, em maio e junho de 1942. Nesta oportunidade, o Takao, junto com seu irmão Maya, participou da diversão nas Aleutas, sob o comando do vice-almirante Kakuji Kakuta, escoltando os porta-aviões Ryujo e Junyo.
Em 07 de agosto, com a invasão de Guadalcanal pelos norte-americanos, o Takao foi deslocado para Truk, executando, a partir dessa grande base, uma intensa atividade de escolta, incluindo o apoio aos porta-aviões japoneses nas batalhas aeronavais das Salomão Ocidentais (24 de agosto) e Santa Cruz (26 de outubro).
Em 15 de novembro de 1942 o Takao e seu irmão Atago escoltaram o couraçado Kirishima até Guadalcanal, para mais um bombardeio noturno de Henderson Field, o vital aeroporto norte-americano nessa ilha. A força japonesa foi interceptada pelos couraçados USS South Dakota e USS Washington, o que deu margem para mais uma feroz batalha noturna. Enquanto o Kirishima duelava com o South Dakota, o Takao e o Atago se aproveitaram para atacar impunemente este último, que acabou seriamente danificado por 17 projeteis de 203 mm. O Washington, até aquele momento não avistado pelos japoneses, aproveitou a confusão para se aproximar do Kirishima, e martelar o couraçado japonês, que ficou em chamas e afundou posteriormente. O Takao e o Atago, por sua vez, conseguiram escapar antes que tivessem o mesmo destino.
Em 1943, depois de um breve período no Japão, o Takao retomou as suas intensas atividades de escolta a partir de Truk, apoiando as seguidas tentativas da Marinha Imperial para neutralizar o avanço norte-americano de ilha em ilha.
No início de novembro de 1942 os japoneses concentraram um grande número de navios em Rabaul, incluindo os cruzadores pesados Takao, Atago, Maya, Suzuya, Mogami e Chikuma, com o objetivo de combater os desembarques inimigos em Bougainville. Só que isso deu aos norte-americanos a oportunidade de montar uma pequena repetição de Pearl Harbor, usando os porta-aviões Saratoga e Princeton. O ataque aéreo, desfechado em 05 de novembro e usando todos os aviões disponíveis nos dois navios, pegou os japoneses de surpresa e danificou vários navios, incluindo o Takao, atingido por duas bombas de 250 kgs. O Mogami, o Atago e o Maya foram também severamente atingidos.
O Takao retornou ao Japão para reparos e, em seguida, no início de 1944, foi enviado para as Filipinas, já que as bases em Truk e Saipan estavam agora ao alcance da aviação aliada e não mais podiam abrigar com segurança as unidades da Marinha Imperial.
Ocorreu então a grande batalha aeronaval das Marianas, em junho de 1944, onde os grupos aéreos japoneses foram dizimados. O Takao participou da escolta aos porta-aviões e escapou ileso mais uma vez. Na seqüência, as Filipinas também deixaram de ser um local seguro e ele acompanhou a retirada da Marinha Imperial para novos ancoradouros em Brunei e Singapura.
Finalmente, em outubro de 1944, ocorreu a invasão das Filipinas pelos norte-americanos, desencadeando a “Operação Vitória” ou “Sho Go”, a resposta da Marinha Imperial a este avanço inimigo sobre uma área vital para o esforço de guerra japonês.
O Takao foi incorporado à força “A”, do vice-almirante Takeo Kurita, que partiu de Brunei em 22 de outubro com cinco couraçados e uma dezena de cruzadores pesados. No dia seguinte, cruzando a passagem de Palawan em baixa velocidade e sem ziguezaguear, a formação japonesa se tornou um alvo fácil para os submarinos norte-americanos ali posicionados. O USS Darter disparou uma salva de seis torpedos de seus tubos de proa contra o Atago, capitânia de Kurita, que viria a afundar 20 minutos depois. Girando 180º, o USS Darter em seguida esvaziou os seus quatro tubos de popa contra o Takao, que foi atingido por dois torpedos. Na seqüência, o segundo submarino, USS Dace, atingiu o Maya com quatro torpedos, que mandaram o grande cruzador para o fundo em cerca de oito minutos. Um desdobramento dessa tragédia foi a transferência dos sobreviventes do Maya para o Musashi, que seria afundado no dia seguinte.
Voltando ao Takao, depois de atingido ele ficou imóvel e em chamas, só não afundando graças aos esforços da sua tripulação. Após reparos nos motores, ele retornou lentamente para Brunei, escoltado por dois destroyers e um torpedeiro. Sem que os japoneses soubessem, o USS Darter continuou seguindo o cruzador, na esperança de finalizar o serviço, mas acabou colidindo com um obstáculo não indicado nas cartas de navegação. Sua tripulação foi então recolhida pelo USS Dace e o mesmo abandonado.
Depois de passar por Brunei, o Takao seguiu para Singapura, onde foi feita uma avaliação de seus danos e constatado que os mesmos não poderiam ser reparados. Sendo assim, ele foi camuflado, posicionado como bateria flutuante e incorporado às defesas do porto, juntamente com o Myoko, também severamente danificado.
Meses depois, os ingleses, ignorando o estado dos dois cruzadores e receando que eles viessem a representar um grande obstáculo para a reconquista de Singapura, resolveram afundá-los usando mini-submarinos.
Em 26 de julho de 1945 foi iniciada a operação “Struggle”, na qual os submarinos HMS Stygian e HMS Spark rebocaram, respectivamente, os mini-submarinos XE-3 e XE-1 até a entrada do porto de Singapura. O XE-3 conseguiu ao final colocar cargas explosivas no Takao, cuja detonação danificou bastante o navio, mas sem afundá-lo.
Em 21 de setembro de 1945 o Takao se rendeu aos ingleses e em 27 de outubro de 1946, puxado pelos rebocadores HMS Griper e HMS Assiduous e escoltado pelo cruzador HMS Newfoundland e pelo navio auxiliar Nitto Maru, foi levado até águas profundas entre a Malásia e Singapura, sendo ali afundado. Desaparecia, assim, o último dos cruzadores pesados da Marinha Imperial Japonesa.
Bibliografia e referências. [ a ] Anatomy of the Ship – The Heavy Cruiser Takao, Janusz Skulski, Conway Maritime Press, 1994;
[ b ] Japanese Heavy Cruisers – Myoko and Takao classes, Shipcraft # 5, Steve Backer, Chatham Publishing, 2006;
[ c ] Japanese Heavy Cruisers of World War II, Warships in Action # 26, Wayne Patton, Squadron Signal Publications, 2006;
[ d ] Heavy Cruisers Takao Class, Warship Quarterly # 26, Model Art Magazine, 2007;
[ e ] Mechanisms of Japanese Heavy Cruisers, Maru Special # 2, 1991;
[ f ] Random Japanese Warship Details # 1 & 2, Tamiya News Supplement;
[ g ] Warships of the Imperial Japanese Navy 1869-1945, Hansgeorg Jentschura, Dieter Jung & Peter Mickel, US Naval Institute Press, 1986;
[ h ] A Battle History of the Imperial Japanese Navy (1941-1945), Paul S. Dull, US Naval Institute Press, 1978;
[ i ] Combined Fleet Decoded – The Secret History of American Intelligence and the Japanese Navy in World War II, John Prados, US Naval Institute Press, 1995;
[ j ] Japanese Destroyer Captain, Tameichi Hara, Ballantine Books, 1961;
[ k ] The End of the Imperial Japanese Navy, Masanori Ito, Jove Books, 1962;
[ l ] Website Combined Fleet – Imperial Japanese Navy Page,
www.combinedfleet.com Cruzador Pesado Takao (1944) – O Kit da Aoshima na escala 1/700, referência WL02. O kit que iremos montar está comigo desde 1982, ou seja, há 27 anos! É um daqueles kits antigos da Aoshima, na versão embalada nos EUA pela Minicraft. Apesar de desatualizado após tantos anos, é um kit interessante, com 110 peças bem moldadas em plástico, sendo 106 em um cinza azulado bem escuro e quatro vermelhas. As mesmas são acompanhadas por uma folha de instruções (em inglês, graças a Minicraft), um peso de metal e uma pequena folha de papel, contendo bandeiras e imitações das janelas da torre de comando.
Em versões mais recentes, esse kit foi melhorado com a adição das duas árvores do conjunto “Heavy Vessel Ordnance Set”, da Leviathan. Para maiores informações, consulte o link a seguir.
http://www.webkits.com.br/news...icleid=432&zoneid=30Um detalhe interessante é que os canhões simples de 25 mm, dos quais 30 existiam na versão 1944, não foram incluídos pela Aoshima, nem nesse modelo antigo e nem na versão mais recente, completamente renovada (“new tooling”).
Nas fotos a seguir detalhes da embalagem e do seu conteúdo.
Pretendo melhorar bastante esse belo modelo, fazendo uso dos acessórios mostrados a seguir.
Bom, já falei e escrevi demais e acho que está na hora de começar a montagem.
Até breve.
Abraços,
Paulo Roberto