O transporte de infantaria blindado SdKfz 251 não foi tão famoso quanto outros veículos de combate utilizados pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, como os tanques Tiger e Panther, mas foi certamente indispensável para a execução de um vasto número de tarefas naquele conflito. Recentemente, no âmbito do plastimodelismo, a importância do SdKfz 251 foi resgatada pelos fabricantes Dragon e AFV Club, com lançamentos sucessivos de modelos extremamente detalhados na escala 1/35. Saímos, assim, para a felicidade dos modelistas, de um ambiente limitado a uns poucos kits da Tamiya para outro repleto de alternativas, onde é possível reproduzir a quase totalidade das variantes desse veiculo.
Voltando ao histórico, nos anos que se seguiram à Primeira Guerra Mundial houve muita discussão sobre o papel a ser desempenhado pelo tanque, novidade surgida nesse conflito, e sobre a sua integração com as demais armas. Apesar dos esforços de alguns pioneiros, na França e na Inglaterra o tanque foi relegado à função de suporte direto à infantaria e limitado pela velocidade das tropas a pé. Na Alemanha predominava esse mesmo pensamento, mas os advogados das formações independentes de tanques tiveram mais sorte e foram assim criadas as primeiras divisões blindadas.
Os testes práticos realizados pelos alemães com essas novas unidades indicaram a necessidade de motorizar todos os seus elementos (infantaria, artilharia, engenharia, etc.), de tal forma que pudessem acompanhar os tanques em combate, na mesma velocidade e em qualquer terreno.
No que dizia respeito à infantaria, o uso dos veículos existentes, com rodas, inviabilizaria a capacidade de operar em qualquer terreno, enquanto que a produção de um novo veículo, equipado somente com lagartas, como os tanques, não podia ser atendida pela indústria alemã, já sobrecarregada com as demandas do rearmamento daquele país na década de 30.
Por outro lado, já existia na Alemanha experiência na fabricação de veículos semi-lagarta, para rebocar peças de artilharia e buscou-se, assim, uma solução entre os tipos existentes, recaindo a escolha sobre o trator de três toneladas SdKfz 11. A firma Hanomag foi encarregada de adaptar o seu chassis a uma carroceria blindada desenvolvida pela Bussing-NAG, nascendo desse casamento o transporte blindado de infantaria médio SdKfz 251 (Mittlerer Schützenpanzerwagen), com a entrega das primeiras unidades ocorrendo em 1938.
O Sdkfz 251 nunca recebeu um nome popular, como outros veículos de combate alemães (Tiger, Panther, Marder, Hummel, Puma, etc.), apesar do uso eventual da designação Hanomag, prevalecendo ao final a referência SdKfz 251 (Sonderkraftfahrzeuge 251 ou veículo motorizado especial 251). Tal designação não estava associada às características ou função do veículo, sendo apenas a referência numérica da lista dos órgãos responsáveis pelo material, relativa aos veículos utilizados para fins militares na Alemanha.
O SdKfz 251 foi produzido durante toda a Segunda Guerra, com mais de 15.000 unidades entregues, o que fez dele o veículo blindado alemão mais numeroso. Apesar disso, a indústria alemã nunca foi capaz de produzir a quantidade necessária desse transporte blindado para qualquer terreno, o que obrigou o uso de caminhões comuns por parte dos regimentos de infantaria das divisões blindadas e, mais tarde, das divisões de infantaria blindada (Panzergrenadier).
Foram produzidas quatro versões básicas do SdKfz 251 (A, B, C e D), com 23 variantes, incluindo, entre outros, veículos antitanque, antiaéreos, lança-chamas, ambulâncias, de comando, de reconhecimento, de engenharia (pioneiros), de comunicações e tratores de artilharia.
A existência de quatro modelos foi resultado das tentativas de simplificar (e acelerar) a produção, enquanto as mais de duas dezenas de variantes refletiram as crescentes exigências da guerra moderna.
Especificações Técnicas (modelo D):
Peso: 8,0 toneladas;
Comprimento: 5,98 metros;
Altura: 1,75 metros;
Largura: 2,10 metros;
Motor: Maybach HL42 TUKRM de seis cilindros, 100 HP, refrigerado à água;
Velocidade máxima (estrada): 53 km/h;
Alcance (estrada): 300 km;
Tripulação do transporte de infantaria: um comandante, um motorista e 10 soldados, total 12;
Tripulação da versão 21 (antiaérea): quatro a seis;
Armamento do transporte de infantaria: duas metralhadoras MG34 ou MG42;
Armamento da versão 21 (antiaérea): três canhões Mauser MG151 de 15 ou 20 mm e uma metralhadora MG42.
2. A versão 21 do SdKfz 251 modelo D.
Para este GB23 de Militaria da Webkits escolhi uma variante pouco conhecida do SdKfz 251 modelo D, no caso a 21, equipada com três MG151 de 20 mm. A mesma foi uma tentativa bem sucedida de produzir um novo veículo antiaéreo, aproveitando armamento originalmente utilizado nos caças da Luftwaffe e que estava sendo desativado com a introdução dos novos canhões de 30 mm.
Nesta variante o compartimento traseiro do modelo D foi desobstruído, com a remoção dos bancos, suportes dos rifles e demais acessórios, sendo nele instalado um pedestal de uso naval desenvolvido pela Kriegsmarine – Flakdrilling Sockellafette ou suporte para peça AA tripla. Sobre esta base foi então instalado um conjunto de três MG 151, inicialmente de 15 mm e depois de 20 mm, manobrado manualmente e com elevação entre -10º e +60º. Três grandes cofres de munição, um para cada canhão, foram montados no pedestal e acompanhavam os giros do armamento. A cadência de tiro dos canhões era de 700 projéteis por minuto e o veículo transportava 3.000 projéteis, incluindo o conteúdo dos cofres e as recargas.
A variante 251/21, cuja produção foi iniciada em agosto de 1944, teve um sucesso muito maior do que a anterior, 251/17, equipada com apenas um canhão de 20 mm. Comparado com outros veículos antiaéreos, o 251/21 oferecia um grande poder de fogo sem exigir em troca uma grande plataforma, mais difícil de ocultar. Além do uso contra a aviação aliada, o 251/21 revelou-se perfeito para os combates em terra, nas grandes batalhas defensivas do final de 1944 e início de 1945. Hubert Meyer, chefe de estado-maior da 12ª Divisão Blindada SS (Hitler Jugend) e autor de uma obra monumental sobre a história dessa unidade, descreve nesse trabalho o excelente desempenho dos 251/21 nos combates contra os russos na Hungria e Áustria, no inverno e primavera de 1945.
Temos a seguir algumas fotos do SdKzf 251/21 e de seu conjunto de canhões.
3. Bibliografia.
- Armoured Fighting Vehicles of Germany, Profile Publications, 1973 – Mittlerer Schuetzenpanzerwagen SdKfz 251, Walter J. Spielberger.
- Encyclopedia of German Tanks of World War Two (revised), Arms & Armour Press, 1993, Peter Chamberlain, Hilary Doyle e Thomas J. Jentz.
- SdKfz 251 in Action, Charles Kliment, Squadron Signal Publications, 1981.
- The SdKfz 251 Half-Track (Vanguard #32), Bruce Culver, Osprey Publishing, 1983.
4. SdKfz 251/21 modelo D Drilling – o kit da Dragon na escala 1/35, referência 6217.
Temos aqui um excelente kit, um dos vários modelos de SdKfz 251 lançados nos últimos anos por este fabricante.
O mesmo é apresentado em uma caixa resistente, com as árvores de peças embaladas individualmente em plástico. Como de hábito nos modelos recentes da Dragon, a caixa vem cheia de peças até a boca, no caso cerca de 1.000 delas, finamente moldadas em plástico cinza e sem excessos. É certo que um bom número dessas peças terá como destino a minha caixa de sobressalentes, para uso em futuros projetos. São oferecidos dois conjuntos de lagartas LBL, conforme o padrão dos modelos D do SdKfz 251 Dragon, sendo um comum e o outro “Magic Track”, respondendo os mesmos por quase metade das peças do kit. Ele traz também três pequenas folhas de PE, vários acessórios em metal, duas figuras e vestimentas soltas em vinil e ainda um conjunto completo de quatro figuras da Dragon, o excelente “Achtung-Jabo” Panzer Crew France 1944, referência 6191. Finalizando, temos quatro (!) folhas de decals, uma para o painel de instrumentos, uma com números e cruzes, uma com as placas de licença e uma com insígnias de divisões.
As instruções de montagem fazem parte de um folheto de dez páginas, contendo também o indispensável mapa das árvores de peças, dois esquemas de pintura e tabela de cores (Gunze e Model Master), mas omitindo qualquer tipo de informação histórica ou técnica relativa ao veículo real. É indispensável, antes de qualquer outra coisa, analisar cuidadosamente as instruções e redefinir as etapas da montagem levando em conta a pintura das peças, já que a ordem sugerida pela Dragon não contempla de forma satisfatória a relação entre essas duas etapas.
As fotos a seguir mostram os diversos componentes desse belo kit.
No lado negativo podemos apenas lamentar a ausência de canos de metal para as MG 151 (presentes no similar da AFV Club) e de marcações de unidades da Waffen SS na folha de decals.
Pretendo utilizar apenas as peças do kit, sem qualquer acessório adicional. Cumpre ressaltar que as LBL “Magic Track” e a folha de decals para o painel de instrumentos já foram utilizadas em outro projeto, no caso o SdKfz 251/17 da AFV Club que montei ano passado, aqui mesmo na Webkits, no GB15 de Militaria (Semi-lagartas). No caso das LBL “Magic Track” temos o segundo conjunto de lagartas oferecido pelo kit, enquanto os decals do painel de instrumentos poderão ser facilmente substituídos por algum similar sobrevivente de projetos anteriores.
S! Os kits da Dragon, uma vez abertos precisam de um engenharia para guardar as árvores. Deve ter um bando de chinês só fazendo isso na fábrica. Uma vez aberta e removidas as árvores dificilmente vai fechar como antes.
Mensagens: 4450 | Localização: "Si vis pacem, para bellum." Vegetius | Registrado: 07 September 2004
Que belo kit! As necessidades e desesperos da guerra trazem adaptações interessantes, como é o caso desse blindado. Os operadores estão bem protegidos, porém me parece que é bem desconfortável operá-la.
Pede
Mensagens: 750 | Localização: São Paulo | Registrado: 05 September 2004
Vc tem razão - quase não tem espaço por dentro, já que, além do canhão, existem dois grandes cofres extras de munição. Isso vai ficar evidente na montagem.
Mensagens: 9435 | Localização: Rio de Janeiro, RJ | Registrado: 22 July 2000